A morte de Rayana Raissa Albuquerque de Matos, uma jovem de 21 anos baleada no rosto pelo companheiro em Hortolândia, no interior de São Paulo, destaca um preocupante aumento nos casos de feminicídio na região de Campinas. Desde outubro, 12 mulheres foram vítimas desse tipo de crime, o que representa uma média de um caso por semana. Esse número já superou o total registrado em 2024, com 24 ocorrências em 2025 até o momento, distribuídas em 10 cidades. Campinas concentra o maior número, com oito vítimas, seguida por Mogi Guaçu com cinco e Hortolândia com quatro. As vítimas tinham entre 15 e 74 anos, e em pelo menos 14 casos, os assassinatos ocorreram dentro de casa, como no episódio de Rayana, atingida na têmpora direita.
A advogada criminalista Erika Chioca Furlan, doutoranda em ciências sociais pela Unicamp e ex-delegada de polícia, atribui o crescimento a fatores como o estresse financeiro e familiar no fim do ano, aliado a uma reação masculina contra os avanços nos direitos das mulheres. Ela explica que o consumo de conteúdo de ódio contra as mulheres nas redes sociais cria um ambiente propício à violência, especialmente com a ascensão da extrema direita, que dissemina visões misóginas. Segundo Erika, o machismo estrutural na sociedade transforma avanços em igualdade de gênero em gatilhos para agressões, pois muitos homens se sentem incomodados com mulheres que não aceitam mais relacionamentos abusivos.
Para combater o problema, Erika defende ações preventivas, como a conscientização masculina desde a infância, em vez de apenas aumentar punições, que não resolvem o cerne da questão. Ela enfatiza a necessidade de conter a disseminação de conteúdos misóginos em grupos e redes sociais, promovendo um enfrentamento constante para garantir o progresso na libertação das mulheres.