Início Brasil Invasões de macacos-prego em Santa Catarina expõem impactos de políticas de desenvolvimento urbano
Brasil

Invasões de macacos-prego em Santa Catarina expõem impactos de políticas de desenvolvimento urbano

46

Moradores do bairro Ubatuba, em São Francisco do Sul, no Norte de Santa Catarina, enfrentam há mais de um ano invasões frequentes de macacos-prego em suas residências, com a situação se agravando nos últimos meses. Os animais, em busca de comida, quebram telhados, abrem geladeiras e armários, destroem objetos e contaminam alimentos ao urinar e defecar sobre eles, gerando prejuízos significativos. Residentes como Maristela Kempfer e Marli Assunção relatam a necessidade de instalar cadeados em eletrodomésticos e trancar portas para se proteger, além de descartar compras inteiras devido à sujeira causada. Os macacos-prego, espécie nativa da Mata Atlântica que pesa até quatro quilos e é conhecida por sua habilidade em usar ferramentas como pedras e gravetos para obter alimento, perderam o medo das pessoas e agora avançam em direção a elas, segundo os relatos. Essa mudança de comportamento é atribuída à redução do habitat natural, impulsionada por desmatamentos para novos loteamentos, o que diminui a oferta de árvores frutíferas e força os animais a buscar recursos em áreas urbanas.

A Prefeitura de São Francisco do Sul, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, reconhece o problema e associa as invasões à perda de habitat, recomendando que a população evite contato ou alimentação dos animais para não incentivar comportamentos de domesticação, o que poderia configurar crime ambiental. No entanto, moradores como Maristela Kempfer afirmam ter procurado o Ibama e protocolado pedidos na secretaria local sem obter respostas efetivas, o que revela lacunas em políticas de monitoramento e conservação da fauna. A administração municipal mantém ações de vigilância da flora e fauna, orientando contatos com o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) para casos de animais feridos ou fora do habitat, mas a ausência de medidas concretas para mitigar o desmatamento e restaurar áreas verdes levanta questionamentos sobre a eficácia das políticas ambientais no estado. Com a proximidade da temporada de verão, há temores de que turistas alimentem os macacos, agravando as invasões e aumentando os prejuízos, o que pode pressionar por intervenções governamentais mais robustas.

Essa crise destaca os conflitos entre expansão urbana e preservação ambiental em regiões turísticas, onde o desmatamento para loteamentos compromete ecossistemas e afeta comunidades locais, exigindo uma revisão de estratégias políticas para equilibrar desenvolvimento e sustentabilidade. Alguns inquilinos já abandonaram residências devido aos custos, e moradores expressam compaixão pelos animais famintos, mas enfatizam a urgência de soluções institucionais para evitar escalada do problema.

Conteúdo relacionado

Homenagem da CLDF a campanha católica expõe fracasso no combate ao déficit habitacional

Homenagem da CLDF à campanha católica por moradia digna revela falhas no...

Raio atinge estrutura em ato político de Nikolas Ferreira em Belo Horizonte e causa pânico

Raio atinge estrutura em ato político de Nikolas Ferreira em Belo Horizonte,...

Morre Constantino Junior, fundador da Gol, aos 57 anos em São Paulo

Constantino Junior, fundador da Gol, faleceu aos 57 anos em São Paulo...

HUB recruta voluntários pré-diabéticos para programa Proven-dia de prevenção ao diabetes

O HUB recruta voluntários pré-diabéticos para o programa Proven-dia, com acompanhamento gratuito...