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Associações ligadas a fraudes no INSS operam no mesmo endereço e levantam suspeitas de rede criminosa

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A Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer) e a Associação dos Aposentados do Brasil (AAB), alvos de investigações por descontos ilegais em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), compartilham o mesmo prédio no Setor Comercial Sul de Brasília. De acordo com dados do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, os CNPJs das entidades permanecem ativos e divergem apenas no número da sala, o que reforça as suspeitas de conexões entre elas. Ambas aparecem em processos administrativos da Controladoria-Geral da União (CGU) por supostos desvios milionários, como os R$ 640 milhões atribuídos à Conafer. A operação da Polícia Federal, deflagrada em novembro, resultou em prisões de dirigentes, incluindo Cícero Marcelino de Souza Santos, assessor da Conafer, e Samuel Chrisostomo do Bomfim Júnior, contador da entidade.

As investigações revelam um esquema sofisticado que incluía descontos indevidos em aposentadorias e pensões, inclusive de beneficiários falecidos, como nos mais de 27 mil casos identificados pela CGU envolvendo a AAB. Dirigentes como Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer, e Dogival José dos Santos, da AAB, são acusados de chefiar núcleos políticos e financeiros para fraudar o sistema. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou a convocação de Dogival para depoimento e pediu quebra de sigilo bancário, destacando ligações com empresas suspeitas de serem laranjas. Antes de assumirem cargos nas associações, figuras como Dogival e Carlos Lopes exerciam profissões como motorista, o que levanta questionamentos sobre a origem de suas ascensões.

Além das associações, há conexões com igrejas evangélicas e empresas no Distrito Federal, como uma igreja de Lucineide dos Santos Oliveira, sócia da AAB, que compartilha endereço com uma firma de Samuel Chrisostomo, apontada como fantasma. Outras empresas de Cícero e Samuel operam no mesmo sobrado, e depoimentos na CPMI expuseram admissões de repasses irregulares. A operação Sem Desconto, que cumpriu mandados em 17 estados, investiga organização criminosa por estelionato previdenciário e corrupção, com alvos incluindo ex-presidentes do INSS como Alessandro Stefanutto e Antônio Carlos Antunes Camilo.

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