O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou como uma “vitória do Judiciário brasileiro” a decisão do governo dos Estados Unidos de retirar seu nome da Lei Global Magnitsky, anunciada nesta sexta-feira. Em discurso durante o lançamento do SBT News, na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Moraes afirmou que “a verdade venceu” após cinco meses de inclusão na lista, imposta pela administração de Donald Trump. As sanções acusavam o magistrado de graves abusos contra os direitos humanos, incluindo detenções arbitrárias e supressão da liberdade de expressão. A remoção, divulgada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), também excluiu a esposa de Moraes, Viviane Barci, e a empresa familiar das restrições. O ministro destacou a soberania nacional e agradeceu a Lula pelo empenho em negociações com os EUA, enfatizando que o Judiciário não se curvou a ameaças e manteve sua imparcialidade.
Moraes reiterou confiança na prevalência da verdade, mencionando uma reunião do STF em julho ou agosto, na qual pediu ao presidente que evitasse ações precipitadas contra as sanções. Os EUA, no entanto, não anunciaram mudanças em relação a outros ministros do STF ou autoridades brasileiras com vistos cancelados. O contexto envolve acusações de Trump contra a gestão Lula, descrita como “caça às bruxas” ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, cumprindo pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A inclusão de Moraes na lista foi articulada principalmente pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), réu no STF por supostamente atrapalhar julgamentos e pressionar por sanções.
Reações políticas foram variadas: Eduardo Bolsonaro lamentou a decisão, atribuindo-a à falta de unidade da direita brasileira e agradecendo o apoio de Trump. O senador Flávio Bolsonaro (RJ) viu o gesto como um passo para anistia no Brasil e normalização das relações bilaterais, mencionando uma votação de projeto de lei no Senado. Do lado governista, a ministra Gleisi Hoffmann destacou a vitória de Lula e criticou a família Bolsonaro como traidora. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que o bolsonarismo sofreu sua maior derrota, com a soberania e a diplomacia de Lula prevalecendo.