A sessão solene realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal na noite de terça-feira, 26 de julho de 2026, expôs mais uma vez as graves deficiências no acesso ao parto humanizado no Distrito Federal, apesar da homenagem às doulas e da celebração da Lei nº 7.432/2024. Proposta pela deputada Doutora Jane, a iniciativa reuniu profissionais, autoridades e representantes de entidades, mas deixou claro que a regulamentação da profissão ainda não se traduziu em políticas efetivas para a maioria das gestantes.
Avanços limitados após regulamentação
Durante o encontro, participantes discutiram a importância do acompanhamento no pré-natal, parto e pós-parto, com menção à secretária Giselle Ferreira e à presidente do Conselho de Saúde Jeane Sales. No entanto, as falas evidenciaram que a redução de intervenções desnecessárias e de cesáreas continua restrita a um pequeno grupo, enquanto a maioria das mulheres no DF enfrenta barreiras estruturais e falta de suporte adequado.
Propostas que não saem do papel
As sugestões para ampliar a humanização do parto foram apresentadas, incluindo a entrega de moções de louvor às doulas homenageadas. Ainda assim, o evento reforçou que a ausência de investimentos concretos mantém o acesso universal distante da realidade, mantendo elevados índices de procedimentos invasivos e fragilizando o vínculo entre mãe e bebê em grande parte dos casos atendidos pelo sistema público.
As doulas desempenham um papel fundamental na redução de intervenções desnecessárias, na diminuição de cesáreas e no fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê. Precisamos avançar ainda mais na implementação de políticas públicas que garantam o acesso universal ao parto humanizado no Distrito Federal.
Doutora Jane
O debate concluiu com chamadas por novas medidas, mas a repetição de promessas antigas sem prazos ou recursos definidos confirma que o reconhecimento simbólico das doulas pouco altera o quadro de negligência institucional persistente na saúde materna do Distrito Federal.