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A dissonância cognitiva dos baby boomers: uma geração que resiste à velhice

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A jornalista e escritora Katherine Seligman destacou em um artigo recente o fenômeno da “dissonância cognitiva dos baby boomers”, referindo-se à tendência dessa geração, nascida entre 1946 e 1964, de negar o envelhecimento mesmo ao ultrapassar os 60 ou 70 anos. Esses indivíduos, que incluem profissionais ativos e engajados, enfrentam uma série de desafios físicos, como dores no joelho, cataratas e doenças crônicas controladas por medicamentos, além de perdas emocionais, como divórcios e a morte de entes queridos. Apesar disso, os baby boomers mantêm uma postura altiva, recusando-se a abandonar sua independência e autonomia. De acordo com o Centre for Ageing Better, essa geração permanece ativa, valorizando a capacidade de realizar tarefas diárias, como calçar sapatos ou cozinhar, e o direito de tomar decisões sobre sua própria vida, vivendo conforme seus desejos e regras pessoais.

No entanto, a velhice contemporânea difere das concepções tradicionais, e os “novos velhos” rejeitam a irrelevância, buscando formas de prolongar a vitalidade. Seligman observa que muitos baby boomers investem em hábitos saudáveis, como exercícios, alimentação equilibrada, sono de qualidade, estímulos cerebrais e manutenção de laços sociais, embora nem sempre com a consistência ideal. Há também um ceticismo em relação ao envelhecimento, com exemplos de pessoas que confiam em suplementos para alcançar longevidade extrema, como viver até os 120 anos, especialmente entre aqueles com recursos financeiros para opções avançadas de saúde. Ainda assim, a geração reconhece a inevitabilidade de precisar de cuidados futuros, preparando-se com testamentos e diretivas antecipadas de vontades para garantir autonomia mesmo em condições de dependência.

Essa dissonância reflete uma resistência coletiva à finitude, motivada por experiências novas e fascinantes, mas também por um encontro inevitável com o envelhecimento. Enquanto a independência física pode diminuir, a autonomia decisória permanece um pilar, destacando a necessidade de políticas e discussões sobre envelhecimento que considerem essas nuances geracionais.

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