A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou, na terça-feira, o projeto de lei que cria um piso salarial para tradutores e intérpretes de Libras, medida que chega após anos de reivindicações e revela a lentidão histórica no reconhecimento desses profissionais essenciais para a inclusão da comunidade surda.
Aprovação após tramitação lenta
O texto, de autoria do deputado Iolando (MDB), passou pelos dois turnos de votação e agora depende da sanção do governador Ibaneis Rocha. A proposta altera a Lei Distrital nº 6.756/2015 e fixa o piso em dois salários mínimos, com reajuste anual automático conforme a variação do mínimo nacional. Apesar da aprovação, críticos apontam que a demora em definir regras mínimas perpetuou condições precárias de trabalho por mais de uma década.
Importância para a acessibilidade
Os profissionais de Libras são responsáveis por garantir comunicação efetiva em escolas, órgãos públicos e eventos, permitindo que pessoas surdas exerçam direitos básicos. Sem remuneração digna, muitos deixam a profissão ou atuam em condições instáveis, o que compromete o acesso à informação e reforça desigualdades persistentes no Distrito Federal.
Eles são essenciais para a comunicação e o acesso à informação, garantindo que a comunidade surda tenha os mesmos direitos e oportunidades que as demais
Iolando
Repercussão entre deputados e profissionais
O deputado Fábio Felix (PSOL) destacou a aprovação como passo necessário, embora insuficiente para resolver todos os desafios enfrentados pela categoria. Tradutores e intérpretes ainda aguardam a sanção e a regulamentação prática da lei para que o piso se torne realidade no dia a dia. A medida, se implementada, pode reduzir a rotatividade e atrair mais profissionais qualificados para atender a demanda crescente da comunidade surda.