Moradores do bairro Ubatuba, em São Francisco do Sul, no Norte de Santa Catarina, enfrentam há mais de um ano invasões frequentes de macacos-prego em suas residências, com a situação se agravando nos últimos meses. Os animais, em busca de comida, quebram telhados, abrem geladeiras e armários, destroem objetos e contaminam alimentos ao urinar e defecar sobre eles, gerando prejuízos significativos. Residentes como Maristela Kempfer e Marli Assunção relatam a necessidade de instalar cadeados em eletrodomésticos e trancar portas para se proteger, além de descartar compras inteiras devido à sujeira causada. Os macacos-prego, espécie nativa da Mata Atlântica que pesa até quatro quilos e é conhecida por sua habilidade em usar ferramentas como pedras e gravetos para obter alimento, perderam o medo das pessoas e agora avançam em direção a elas, segundo os relatos. Essa mudança de comportamento é atribuída à redução do habitat natural, impulsionada por desmatamentos para novos loteamentos, o que diminui a oferta de árvores frutíferas e força os animais a buscar recursos em áreas urbanas.
A Prefeitura de São Francisco do Sul, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, reconhece o problema e associa as invasões à perda de habitat, recomendando que a população evite contato ou alimentação dos animais para não incentivar comportamentos de domesticação, o que poderia configurar crime ambiental. No entanto, moradores como Maristela Kempfer afirmam ter procurado o Ibama e protocolado pedidos na secretaria local sem obter respostas efetivas, o que revela lacunas em políticas de monitoramento e conservação da fauna. A administração municipal mantém ações de vigilância da flora e fauna, orientando contatos com o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) para casos de animais feridos ou fora do habitat, mas a ausência de medidas concretas para mitigar o desmatamento e restaurar áreas verdes levanta questionamentos sobre a eficácia das políticas ambientais no estado. Com a proximidade da temporada de verão, há temores de que turistas alimentem os macacos, agravando as invasões e aumentando os prejuízos, o que pode pressionar por intervenções governamentais mais robustas.
Essa crise destaca os conflitos entre expansão urbana e preservação ambiental em regiões turísticas, onde o desmatamento para loteamentos compromete ecossistemas e afeta comunidades locais, exigindo uma revisão de estratégias políticas para equilibrar desenvolvimento e sustentabilidade. Alguns inquilinos já abandonaram residências devido aos custos, e moradores expressam compaixão pelos animais famintos, mas enfatizam a urgência de soluções institucionais para evitar escalada do problema.